“Daí que tanto os movimentos de “restauração do passado” – no âmbito político em vários países do Cone Sul – como de normalização do passado – como realizado por Kohl na Alemanha – tenham uma peculiar atração para quem não deseja uma revisão do vivido ou da história. Isso nos leva ao tema da memória nacional, da nação e do pós-nacionalismo, e ao tema dos lugares de enunciação dos lugares da memória. E talvez mais ainda, nos levaria a discutir o lugar a partir de onde se formula o conhecimento. Um lugar onde os diferentes sujeitos batalham ou negociam não só a memória, mas, também o conhecimento; ou seja, os planejamentos das políticas da memória, que estão indissoluvelmente ligadas às do conhecimento. Um lugar, no entanto, onde os sujeitos tradicionais – povo, classe, estado etc. – batalham para construir seus relatos e, sobretudo, onde propõem tanto as ações do presente como as do futuro.”
Mostrando postagens com marcador memorar estudos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador memorar estudos. Mostrar todas as postagens
25 de nov. de 2009
21 de nov. de 2009
Sobre os usos do passado e do presente, de Achugar (recorte)
“O lugar da memória é, necessariamente, o lugar do passado? Talvez devesse perguntar: qual é o tempo da memória? O passado? Que passado? Ou, o passado de quem? Embora, parafraseando Habermas, deve-ser-ia perguntar: o passado como futuro? Isso torna necessário conjugar a noção de “lugar da memória” com a noção de “enunciação” e de “tempo da memória”. A avaliação do passado é central na construção da memória coletiva e, sobretudo, no planejamento das políticas de tal memória. Assim, ela se constitui no campo de batalha, onde o presente debate o passado como modo de construir o futuro.”
18 de nov. de 2009
Sobre os usos do passado e do presente, de Achugar (recorte)
“[...] é importante compreender o processo de formação da identidade histórica, primeiro no nível individual e, depois, no mais amplo do grupo. Nietzsche [...] argumentou que o homem se diferencia da vaca no campo por estar afligindo pela memória. Sua memória é como uma folha “agitada pelas voltas do tempo, afasta-se flutuando – e, de repente, regressa flutuando novamente e cai no colo do homem”. Portanto o homem vive no tempo imperfeito. Deve estender sua compreensão de si mesmo no passado e no futuro ao mesmo tempo e não pode viver inteiramente no presente. O tempo presente é, apenas, um pestanejar sem substancia e flutuante na luz do ser do homem. Não é possível apoderar-se dele sem interpretar seu progressos através do passado; e, a partir dali, sua trajetória no futuro. (Kosalka, tradução de Achugar para o espanhol)”
16 de nov. de 2009
:: banco de imagens
foto: Aurélio Marques
o Aurélio Marques, um amigo-jornalista quase formado pela UFMS (a apresentação do trabalho de conclusão dele será na segunda-feira que vem, às 19h, no anfiteatro do CCHS) fez seu projeto de conclusão de curso baseado em histórias de ex-ferroviários que vivem na rua Dr. Ferreira.
Além disso, ele tem um site onde há algumas fotos que tirou por aquelas bandas.
O endereço é www.aureliomarques.com
É uma boa dica :]
Quem quiser me acompanhar, vou assisti-lo na semana que vem.
A "cena primária", de Achugar (recorte)
“Hamlet, no instante de morrer, solicita a Horácio que conte sua história. Fortinbras chega, encontra a sangrenta cena e pede uma explicação. Horácio é quem se oferece como interprete ou relator: “Como ocorreram essas coisas: você escutará” [...] “...tudo isso eu posso / Transmitir de modo verdadeiro. Diante do oferecimento de transmitir a história de modo “verdadeiro” que realiza Horácio, Fortinbras responde: Disponhamo-nos a escutá-lo / E convocai os mais nobres a esta audiência / E quanto a mim, com pesar abraço meu destino. / Tenho direitos de memória neste reino. / Que agora me convidam a reclamar minha vantajosa situação”
10 de nov. de 2009
Espaços incertos, efêmeros: reflexões de um planeta sem boca, de Achugar (recorte)
“De acordo com Ernesto Laclau, a postulação dilemática ao estilo “Braden ou Perón” é característica dos discursos populistas. Por isso é possível que todas as perguntas dilemáticas com quem comecei não seja um modo positivo de delinear o problema. Talvez, como propõe Slavov Zizek, ao reformular a frase de Marx, de Groucho Marx, Chá ou Café? Sim, por favor”, e perguntar “Pós-modernidade ou luta de classes? Sim, por favor”, seja necessário se negar a escolher.”
2 de nov. de 2009
Infâncias e metáforas de lugares, de Certeau (recorte)
“Assim começa a caminhada que Freud compara ao ato de pisar o solo da terra-mãe. Essa relação de uma pessoa consigo mesma comanda as alterações internas do lugar (os jogos entre suas camadas) ou os desdobramentos caminheiros das histórias empilhadas num lugar (das circulações e viagens). A infância que determina as práticas do espaço desenvolve a seguir seus efeitos, prolifera,inunda os espaços privados e públicos, desfaz as suas superfícies legíveis e cria na cidade planejada uma cidade “metafórica” ou em deslocamento, tal como a sonhava Kandinsky: “uma enorme cidade construída segundo todas as regras da arquitetura e de repente sacudida por uma força que desafia os cálculos.”
23 de out. de 2009
:: dançar é esquecer ::
"Pois a memória, segundo nossa perspectiva, é no corpo um motor - um motor de presente - sempre pronta a atualizar a lembrança, tornando-a atual, fazendo dela uma outra, uma outra e assim sucessivamente. A memória dá à vida sempre uma nova chance. Do ponto de vista da memória, o passado nunca passou, o passado está sempre a passar, a se modificar"texto da prof. Thereza Rocha, que nos deu uma baita luz em setembro, na pós-graduação. o que ela fez com a gente em sala de aula foi mais que ensino... todo mundo ali chamou de arte.
Acho que esse pensamento dela ajuda a justificar uma questão da construção do espetáculo, o tempo. No meio de tanta informação do que aconteceu naquela rua, na vida das pessoas em volta, e no meio das projeções que faziam para o futuro por causa da ferrovia, a gente se pergunta em que tempo esse espetáculo vai se passar. E tem outro tempo se não agora?
foto nossa, nas ruínas da NOB
21 de out. de 2009
tradição verdadeira
Críveis e memoráveis: a habitabilidade, de Certeau (recortes)
Jean-Michel Basquiat“A dispersão dos relatos já a do memorável. De fato, a memória é o antimuseu: ela não é localizável. Dela saem clarões nas lendas.”
“Os lugares são histórias fragmentarias e isoladas em si, dos passados roubados à legitimidade por outro, tempos empilhados que podem se desdobrar mas que estão ali antes como histórias à espera e permanecem no estado de quebra-cabeças, enigmas, enfim simbolizações enquistadas na dor e no prazer do corpo.”
“Estamos ligados a este lugar pelas lembranças... É pessoal, isto não interessaria a ninguém, mas enfim é isso que faz o espírito de um bairro.”
16 de out. de 2009
O pós-colonial e o pós-moderno: a questão da agência, de Bhabha (recortes)
“Esse “indeterminismo” é a marca do espaço conflituoso mas produtivo, no qual a arbitrariedade do signo de significação cultural emerge no interior das fronteiras regulares do discurso social”
“Ela nos força a encarar o conceito de cultura exteriormente aos objets d’art ou para além da canonização da ‘idéia” de estética, a lidar com a cultura como produção irregular e incompleta de sentido e valor, freqüentemente composta de demandas e praticas incomensuráveis, produzidas no ato da sobrevivência social.”
“A cultura se torna uma pratica desconfortável, perturbadora, de sobrevivência e suplementaridade – entre a arte e a política, o passado e o presente, o publico e o privado”
14 de out. de 2009
sentido não-senso

Cia Olga Roriz
(Os paradoxos do sentido, de Gilles Deleuze)
13 de out. de 2009
Como criar para si um corpo sem órgãos, Guattari e Deleuze (recorte)
Jean-Michel Basquiat“Um CsO é feito de tal maneira que ele só pode ser ocupado, povoado por intensidades. Somente as intensidades passam e circulam. Mas o CsO não é uma cena, um lugar, nem mesmo um suporte onde aconteceria algo. Nada ver com fantasma, nada a interpretar. O CsO faz passar intensidades, ele as produz e as distribui num spatium ele mesmo intensivo, não extenso. Ele não é espaço e nem esta no espaço, é matéria que ocupará o espaço em tal ou grau – grau que corresponde às intensidades produzidas. Ele é a matéria intensa e não formada, não estratificada, a matriz intensiva, a intensidade = 0, mas nada há de negativo neste zero, não existem intensidades negativas nem contraditórias. Matéria igual a energia. Produção do real como grandeza intensiva a partir do zero. Por isto tratamos o CsO como ovo pleno anterior extensão do organismo e à organização dos órgãos, antes da formação dos estratos, o ovo intenso que se define por eixos e vetores, gradientes e limiares, tendências dinâmicas com mutação de energia [...]”
* texto discutido para o processo do me=morar
9 de out. de 2009
:: vagalumes alumiam o banheiro
"Era tão escuro que tanto fazia estar de olho fechado ou aberto. Só dava pra ver os vagalumes".
Argumento perfeito, dado pelo seu Carlos, pra uma noite alumiada num banheiro lírico.
Outra referência, agora do Manoel de Barros:
"Ao poeta faz bem desexplicar. Tanto quanto escurecer acende o vagalume."
8 de out. de 2009
"Os paradoxos do sentido", de Gilles Deleuze
“Não é de admirar que seja mais fácil dizer o que o sentido não é do que dizer daquilo que é. Com efeito, nunca podemos formular ao mesmo tempo uma proposição e seu sentido, nunca podemos dizer o sentido daquilo que dizemos.”
“Assim definido, o sentido é apenas um vapor movendo-se no limite das coisas e das palavras. O sentido aparece aqui, após um dos mais potentes esforços da lógica, mas como ineficaz, estéril, incorpóreo, privado de seu poder de gênese. Lewis Carroll fez um cômputo maravilhoso de todos estes paradoxos: o do desdobramento neutralizante encontra sua figura no sorriso sem gato, com a reduplicação proliferante encontra sua figura no cavaleiro que dá sempre um novo nome ao nome da canção – e, entre estes dois extremos, todos os paradoxos secundários que formam as aventuras de Alice.”
*recortes de textos usados no processo do me=morar
5 de out. de 2009
:: O cavalo perdido
"Foi numa dessas noites em que eu estava triste e já estava deitado, e as coisas em que pensava iam se aproximando do sono, quando comecei a sentir a presença das pessoas como móveis que mudassem de posição. Pensei nisso muitas noites. Eram móveis que além de poder estar quietos se moviam; e moviam-se por vontade própria. Eu queria bem aos móveis que estavam quietos, e eles não me exigiam nada; mas os móveis que se moviam não só exigiam que eu gostasse deles e lhes desse um beijo, mas tinham outras exigências piores; e, além do mais, abriam suas portas de repente, e deitavam tudo em cima da gente (...)"
trecho do conto O Cavalo Perdido
do livro O Cavalo Perdido e outras histórias
do escritor uruguaio Felisberto Hernández
editora Cosac Naify
4 de out. de 2009
:: Amargo Perfume: a dança pelos sentidos
Acabei de ver na grade de aulas de 2010 da pós-graduação (que algumas de nós estamos fazendo) que vamos ter aula com a Patrícia Leal: improvisação e composição coreográfica.
Acontece que a tese dela, Amargo Perfume: a dança pelos sentidos está fazendo parte dos nossos estudos para o Me=morar. Como já dissemos antes, estamos construindo este trabalho a partir dos sentidos, pra então falar de memória. A Júlia, principalmente, está aproveitando bastante da tese da Patrícia para propor estudos corporais.
Fiquei contente com a notícia, ano que vem a gente vai poder conversar de perto sobre o assunto. A orientadora dela foi a Elizabeth Zimmermann, que foi nossa professora este ano na pós, em psicologia aplicada à dança.
Quem quiser ler a tese, o link é este aqui, clique. Lembrando que quando você clicar em visualizar/download, vão te pedir um e-mail e senha. Daí você vai ter que se cadastrar primeiro pra poder baixar. É rapidinho e vale a pena: você vai ter acesso a todo o acervo da unicamp.
Acontece que a tese dela, Amargo Perfume: a dança pelos sentidos está fazendo parte dos nossos estudos para o Me=morar. Como já dissemos antes, estamos construindo este trabalho a partir dos sentidos, pra então falar de memória. A Júlia, principalmente, está aproveitando bastante da tese da Patrícia para propor estudos corporais.
Fiquei contente com a notícia, ano que vem a gente vai poder conversar de perto sobre o assunto. A orientadora dela foi a Elizabeth Zimmermann, que foi nossa professora este ano na pós, em psicologia aplicada à dança.
Quem quiser ler a tese, o link é este aqui, clique. Lembrando que quando você clicar em visualizar/download, vão te pedir um e-mail e senha. Daí você vai ter que se cadastrar primeiro pra poder baixar. É rapidinho e vale a pena: você vai ter acesso a todo o acervo da unicamp.
30 de set. de 2009
...corpomemória
"A morte dos corpos tornou-se a errância das vozes. Por isso, é fundamental encontrar os corpos, dar-lhes visibilidade, e assim recuperar a luta enunciada em cada um desses corpos. Eles são testemunhas sem fala mas com voz. Neles, a memória afigura-se como intranscendência do grito de dor. A recuperação da memória significa torná-los - a eles - sujeitos da história. O que procuramos é, afinal, o movimento tensional de sentido criado pela memória." (Eugénia Vilela)
"Se a história é a gramatica do tempo, a memória é a anunciação da temporalidade enquanto raiz da compreensão" (Eugénia Vilela)
28 de set. de 2009
muerta de hambre

"mi cuerpo es mi discurso. Espero que alguien me entienda"
Trecho do livro da Fernanda Garcia Lao inteiro na internet. Vale mto a pena.
Clique aqui pra acessar.
18 de set. de 2009
:: incertos, de certo
“Incertos, então, efêmeros também, mas carregado com todo o perecível e o durável que terão de construir os futuros por vir. Espaços incertos que obrigam a repensar. A repensar arte, cultura,literatura e toda nossa vida”Hugo Achugar
---------------
O Yan mandou a frase, pediu pra eu escolher uma imagem, aí vai.
Esta foto vem do novo passeio que fizemos em grupo nas redondezas da casa. Dessa vez a Mary Saldanha foi com a gente, pra poder sentir um pouco o que é estar por lá. No caminho, encontramos idéias boas para o espetáculo, vimos o lugar de um jeito diferente da primeira vez (cada um do seu jeito) e encontramos um casal de noivos usando da beleza arruinada do lugar pra tirar fotos.
Pra acessar todas as fotos, clique na imagem ou aqui.
Assinar:
Postagens (Atom)

