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13 de fev. de 2015

Um percurso de Inocência, de Paula Bueno a Daniel Colin

Foi em 2007 quando ainda era intérprete criadora da Ginga Cia de Dança, que a Paula iniciou seus estudos sobre o Inocência. "O tema me encantou porque meu pai coleciona edições antigas deste livro. Comecei uma pesquisa, mas parei e o projeto não foi pra frente. Um ano depois, fiz uma videodança "Casulo" relacionada à ideia. Depois foi o "estudo para Inocência" por conta de uma matéria da pós-graduação em dança. Com o tempo, outras pessoas foram entrando, e a ideia do Inocência amadureceu bastante, como é em qualquer criação. Em 2011 eu e a Renata Leoni começamos as aulas de kung fu como preparação e algumas leituras e encontros".

A ideia de "traduzir" o livro para dança, com seus personagens e tudo mais foi totalmente descartada desde o princípio. O que a gente queria era encontrar a partir do livro, os temas relacionados à nossa vida pessoal e outros temas relacionados com as questões da vida das mulheres na época e que persistem ainda hoje. Vários assuntos foram surgindo e sendo relacionados o que resultou em abordagens relacionadas à física (teoria da relatividade), biologia (entomologia e endocrinologia), filosofia (maturidade, luta da mulher e vida plena) e kung fu (luta, kati da borboleta. No contexto do Kung-Fu, kati indica um encadeamento de movimentos).

A direção da criação e do espetáculo foi naturalmente sendo feita por Paula, que ficou grávida em 2011 e não pode dançar a sua primeira versão. Nesta altura, surgiu a Camila Emboava e a figura do meu filho, Guilherme. Camila trouxe para a cena sua inocência com relação à prática e experimentação com a dança contemporânea e Guilherme, passou a ser uma espécie de narrador que à medida que conta sobre o livro explica os temas levantados e abordados (de um jeito que a gente entenda!).


Em 2013, houve a primeira reformulação do espetáculo, com a saída do Guilherme e com a entrada da Paula, que passou também a dançar, além de continuar com a direção. Sua participação na cena trouxe mais consistência para a questão do corpo, porque é nele, no corpo, que se inaugura o desejo, motor da problemática do livro e da criação desta obra. Também em 2013, o trabalho ganhou um novo olhar externo: o do diretor de teatro Daniel Colin (RS), orientando, provocando e questionado as cenas.

Ensaio Inocência com Paula, Renata e Camila

O nome de Daniel Colin surgiu de um encontro que tivemos com ele em Campo Grande por ocasião de sua vinda aqui para uma apresentação de seu grupo, o Teatro Sarcáustico de Porto Alegre, com o espetáculo Breves Entrevistas com Homens Hediondos, do livro de contos homônimo do autor David Foster Wallace. A afinidade nos motivou a realizar ações em conjunto, unindo a experiência dele com teatro e a nossa experiência com a dança, ambos a partir da literatura. Daniel, em uma noite na feira central de Campo Grande, disse que um dia gostaria de dirigir um espetáculo de dança, daí logo veio o convite da gente!

Em 2014 o elenco mudou novamente com a saída da Camila Emboava e a entrada de Silvia Razuk. Esta mudança naturalmente gerou transformações no trabalho que está prestes a circular pela região Norte do país através do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013. 

O Daniel trabalhou com a gente, principalmente com as amarrações das cenas e com a "fala" da Camila e depois da Silvia, que passou a ser a narradora da trama e a acumular este papel além do da Inocência. O trabalho dele foi bem cuidadoso, respeitou a nossa criação e foi fazendo os ajustes necessários sem no entanto descaracterizar o que tínhamos feito e sem deixar de fazer as modificações necessárias. Mudamos texto, trocamos cenas, melhoramos a coreografia, tudo isso num clima de muita diversão e com o acompanhamento da Fran Cavalheri que foi sua assistente no processo e continuou com a gente depois que ele foi embora.

Agora em fevereiro partimos para a nossa circulação pela região norte do Brasil e esperamos que o Daniel possa estar com a gente, presencialmente, em algum momento. Já fizemos o convite. Se não puder ir, pelo menos já prometeu que vai fazer um texto dele sobre como foi a sua experiência conosco. Assunto para um próximo post.

Daniel Colin em Campo Grande - oficina Dramaturgia Cênica



6 de nov. de 2012

Relatório Inocência

Cumprindo com as exigências do Edital do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2011, enviamos à FUNARTE o relatório de execução do projeto Inocência executado em 2012, que compartilhamos abaixo.

26 de out. de 2012

acariciar o vazio pra esperar o fim do mundo II


Quando meu telefone tocou em uma sexta de manhã era surreal demais pra ser verdade. "Alô, Camila? Aqui é a Renata Leoni". Camila sou eu. Naquele dia, alguém que tinha ido a um baile à fantasia dos formandos em Odontologia na noite anterior. Naquele mês, alguém que tinha recusado uma oferta de emprego em um jornal da cidade porque, depois de semana de atividade, tinha percebido que mesmo que tivesse recém terminado a faculdade de jornalismo, ali não era o lugar dela. 

Renata Leoni é uma produtora, diretora e intérprete muito conhecida na cena da dança de Campo Grande. Ela me propôs que eu fizesse a assessoria de imprensa dos espetáculos de dança do Conectivo Corpomancia, Cia. Dançurbana e Ginga Cia. de Dança, que foram aprovados pela Funarte e seriam produzidos pela Arado Cultural. Topei na hora. Eu não esperava o convite e aquilo era melhor do que eu podia imaginar. Era aquele o meu lugar: fazer a ponte entre o jornalismo e a dança, minhas duas paixões. No fim da conversa ela falou "Ah! E a Paulinha está grávida, então estamos procurando alguém pra dançar um dos projetos, o Inocência, e pensamos em você e alguns outros nomes. O que você acha?". Combinamos um encontro pro qual eu fui preparada pra conversar sobre assessoria, porque pra dançar os outros nomes certamente seriam escolhas melhores, afinal eu estava fora de forma depois de dois anos parada e não tinha experiência nenhuma em dança contemporânea a não ser em uma oficina do próprio Conectivo da qual eu tinha participado quando dançava balé. Mas durante o encontro com a Renata e a Paual praticamente só falamos sobre Inocência e elas pareciam convencidas de que eu cabia muito bem no projeto como intérprete. Topei na hora também. Eu sempre gostei muito do trabalho do Corpomancia e nunca tinha me imaginado sentada em um café com a Renata Leoni, a diretora brava da Ginga Cia. de Dança, a única companhia de dança profissional de Campo Grande que existia (ou pelo menos a única que eu conhecia) quando era aluna do Estúdio de Dança Beatriz de Almeida. E se a Renata Leoni e a Paula Bueno (que seria diretora do espetáculo e é uma intérprete/criadora que eu sempre admirei muito) estavam dizendo que eu podia dançar, eu não ia dizer o contrário. 

Na verdade a ideia me parecia atraente e esquisita ao mesmo tempo. O espetáculo estava sendo pensado a partir da leitura do livro Inocência, escrito por Visconde de Taunay em 1872 depois de uma viagem do autor à Mato Grosso do Sul. Teria três pessoas em cena - eu, a Renata e o Guilherme Leoni (filho da Renata). A trilha seria a música Summertime em várias versões diferentes. Faríamos pesquisa corporal no Kung fu. Estudaríamos as borboletas, os efeitos do açúcar no corpo, a questão da relação da mulher com seus desejos de 1872 até hoje, o tempo, o espaço e até a teoria da relatividade. Depois transformaríamos tudo isso em dança, em um espetáculo.  

Cada mínimo detalhe era um universo novo pra mim. Eu nunca tinha me envolvido com os bastidores gerais de um espetáculo. E o Inocência era aquele tipo de história onde tinham todos muito a ver. Pensei pela primeira vez em iluminação, música, cenário e figurino. Estávamos sempre juntos - diretora, intérpretes-criadores e até a assistente de direção e preparadora, Franciella Cavalheri, e a designer responsável pelo cenário e figurinos, Mary Saldanha. Os encontros começavam às oito da manhã, nas aula de Kung fu e Tai chi e terminavam ao meio dia, no ensaio. Preparar o corpo foi difícil. Pra mim era como se eu estivesse presa na minha liberdade, sabe? Em tudo mais que eu tinha dançado existiam passos - um vocabulário estabelecido e milhões de combinações possíveis. Mas ali, na dança contemporânea, o que estava em jogo era tudo o que o meu corpo pudesse fazer, qualquer coisa (que não fosse qualquer coisa). Aqui eu preciso fazer uma pausa pra agradecer a Maria Elvira Machado, que convidada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, deu uma oficina que durou só uma semana, mas começou uma mudança 'pra sempre' em mim - obrigada, Mareu! Continuando, também era a primeira vez que eu dançava alguma coisa na qual a construção era diretamente ligada à minha própria personalidade. 

O processo aconteceu com uma dose enorme de paciência, carinho e respeito. A equipe, principalmente a Paula (com a ajuda do Jojoca na barriga, né!), conseguiram despertar em mim o que eu podia ter de melhor. A Mary sempre atenta aos detalhes e boa de sugestão, a Fran sempre preocupada tanto com nosso corpo quanto com nossos sentimentos. A Renata Leoni virou Rê, o Guilherme virou Nauth e eles provavelmente são as melhores companhias do universo pra se ter no palco e fora dele. O trabalho e o tempo transformaram o Inocência em espetáculo e a convivência da equipe em amor da melhor qualidade. 

No começo, os ensaios aconteciam duas vezes por semana, mas a relatividade do tempo foi apertando nosso cronograma e mais ou menos um mês antes da estreia estávamos ensaiando todos os dias praticamente até às 13h com vários encontros nos finais de semana também. Nos últimos dias antes da estreia eu estava muito cansada. Dividir meu tempo entre os ensaios e o trabalho na assessoria de imprensa de um núcleo de pesquisas indígenas em uma universidade estava complicado. Eu almoçava correndo e dormia pouco. Durante esses dias, eu confesso que até cheguei a pensar se valia a pena. A resposta veio logo na primeira apresentação em uma escola estadual de Campo Grande: vale muito muito muito mais. 

Pra mim, o espetáculo só foi resolvido de verdade durante a primeira apresentação. Foi ali em cena que eu entendi algumas coisas de um jeito mais completo. Com a repetição das apresentações (fizemos oito em três escolas diferentes no período de três dias e depois duas em teatro) eu aprendi que o espetáculo só é resolvido plenamente enquanto acontece. Cada apresentação parecia um dejá vu. Era como se eu já tivesse visto aquilo tudo e ao mesmo tempo estivesse vivendo pela primeira vez. E viver a dança é mesmo o maior barato. É sagrado, é a coisa mais prazerosa que eu já experimentei nesse mundo. Em cena eu estou tão dentro de um mundo cheio de sentidos, que de uma certa forma é como se o mundo real pudesse mesmo acabar. Exatamente nessa hora em que eu acaricio o meu mundo. Exausta, entregue, completa e, enfim, feliz.


16 de ago. de 2012

INOCÊNCIA na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho

foto Adriel Santos 
Opa! Bora falar da experiência do último dia nas escolas... dia 3 de agosto.

As sessões do "Lúcia" foram experiências bem diferentes das anteriores. A montagem foi um pouco conturbada, por conta da falta de pontos de energia na quadra. Os primeiros contatos nas três sessões foram também cheio de dedos: os alunos se colocavam nas laterais da arquibancada, desconfiados. Apenas com o começo do espetáculo ou depois de os instruirmos bastante sobre o aproveitamento do que estava por vir é que chegaram mais perto... Portanto, diferentemente das outras escolas, os alunos nos pareciam menos prevenidos do que iria acontecer ali. Menos estimulados também. De início.

foto Franciella Cavalheri
Na conversa da sessão da manhã comemoramos o aniversário de uma aluna do 3°B, via recado de um amigo da primeira escola em que estivemos - foi uma surpresa pra ela. Comemoramos também, e com tanto carinho, o aniversário da Fran Cavalheri, nossa assistente de direção e fotógrafa, que passou o dia ao nosso lado, segurando a onda do cansaço do terceiro dia consecutivo de apresentações. As perguntas em relação ao que viram foram pertinentes, apesar da pouca quantidade de alunos nessa sessão.

foto Franciella Cavalheri
À tarde o número de alunos era bem maior, e a euforia deles também. A bagunça instaurada na hora do diálogo fez com que encerrássemos o bate-papo com o microfone, o que abriu espaço para uma conversa bem mais focada com alunos que se aproximaram para trocar ideias com a gente. Falamos do livro, do conectivo, de arte... uma surpresa boa demais. Isso nos mostrou que valia a pena estarmos ali, foi legal.

À noite recebemos, além dos alunos, a visita de outros membros do conectivo: Roberta Siqueira, Ana Maria Rosa, Yan Chaparro, além da presença da Moema Vilela, da Silvia Emboava e do Diogo Banzer. A passagem do espetáculo foi a melhor que tivemos, mais íntima, tranquila e potente.

Terminamos então a jornada nas escolas com boa confiança sobre o trabalho, sabendo que há um diálogo possível com os alunos, nosso público pretendido, que nos encheu de surpresas durante este percurso..


foto Franciella Cavalheri

foto Franciella Cavalheri

9 de ago. de 2012

estudos para INOCÊNCIA: entrevista com dra. Nazira Scaffi

foto Adriel Santos
Difícil explicar como chegamos ao assunto do açúcar e das doenças contemporâneas sem entregar o ouro... sem explicar a nossa interpretaçao do que vamos levar ao palco. Mesmo assim, compartilhamos trechos da nossa conversa com a dra. Nazira Scaffi, com quem ficamos quase duas horas conversando sobre esse assunto.

Ela também leu o livro Inocência, e nos recheou de interpretaçoes filosóficas sobre a obra, desde o ano passado, quando já estávamos nos preparando para a criaçao do espetáculo. Digamos que esta é a contribuiçao "oficial" da Nazira. Agradecemos muito a sua disponibilidade em expor seus conhecimentos e reflexoes. Como sempre, ela se mostrou essa mulher incrível!



foto Adriel Santos
foto Adriel Santos


8 de ago. de 2012

conversa com MARIA ADÉLIA MENEGAZZO

foto Adriel Santos e Franciella Cavalheri
Mais um pedaço da pesquisa que fizemos para a composição do espetáculo. A prof. Maria Adélia tem na sua linha de pesquisa os temas "literatura e memória regional" e "poéticas modernas e contemporâneas". Não tinha uma pessoa melhor pra falar do livro Inocência, contextualizando pra gente a obra no panorama da literatura brasileira. Além disso, ela falou de produção em arte contemporânea, em ciência, em fricções entre linguagens artísticas.... um prato cheio para a nossa pesquisa e para quem estiver interessado no assunto:



Nosso sincero agradecimento à Maria Adélia, que recebeu a gente com tanto carinho em sua casa, onde ficamos cercados de arte: nas paredes, no ar, na conversa e no cafezinho!

foto Adriel Santos e Franciella Cavalheri 

foto Adriel Santos e Franciella Cavalheri 

foto Adriel Santos

um percurso de Inocência

foto Helton Pérez

O primeiro estímulo para a criação deste trabalho veio em 2006, quando os organizadores do lançamento da edição comentada do livro INOCÊNCIA, por Hildebrando Campestrini, entraram em contato com a Ginga Cia de Dança para pedir uma colaboração para o evento. Eu fazia parte do elenco da Cia e tinha uma relação de carinho com o livro porque meu pai, Esacheu, coleciona edições antigas desta obra de Taunay. O projeto não aconteceu, mas aquele estímulo ficou guardado e nos anos seguintes, ressurgiu em criações de videodança e trabalhos para a pós-graduação.

Algumas tentativas foram feitas para a construção deste espetáculo, com colaboração de Júlia Aissa, Renata Leoni, Mary Saldanha. Em 2011 engatamos pesquisas para Inocência, eu e a Renata, em  estudos teórico-práticos, além de aulas de kung fu com o Dirceu Coelho. Havia também debates com a Mary, que já pensava a cenografia e figurino dessa proposta.

Neste momento a figura da Re ganhou peso no imaginário do espetáculo: tínhamos ali uma mulher madura, em contraponto com a figura adolescente da personagem do livro. Se estávamos falando da passagem do tempo (o livro foi publicado em 1872), a presença da Re trazia o debate para a cena contemporânea. Um dia, ela veio ao ensaio contando que o seu filho, Guilherme, tinha dito pra ela: «mãe, deixa eu te explicar de um jeito que você entenda..». Conheço o Guilherme desde 2001. Ele entrava no carro explicando cientificamente as coisas, e a sua sabedoria ‘inquestionável’ nos fez refletir sobre o lugar da inocência dos dias de hoje. O «Nauth» (seu apelido), aceitou o convite para entrar no espetáculo, sua primeira experiência cênica,  dizendo: «ok, eu não me importo em subir no palco».

Recebemos com entusiasmo o resultado do Prêmio Klauss Vianna no fim de 2011. Junto com ele, a notícia de que eu estava grávida: me transformei em casulo. Essa  metamorfose abriu espaço para a Camila Emboava, bailarina que chamamos para construir o trabalho porque ela acompanhava a trajetória do Conectivo, e é uma pessoa com quem temos grande afinidade. Na primeira conversa estava claro: ela era a própria Inocência. Ao longo da nossa convivência, fomos descobrindo suas questões e trazendo-as para o corpo, para o debate, para a composição da dança. Foi bonito acompanhar esse processo da Camila, e constatar mais uma vez que a arte surge do esforço.

A Franciella Cavalheri veio somar ao processo com seu olhar sempre atento às questões do corpo, preparando estímulos para aprimorar o conteúdo gerado nos ensaios. Todas nós fizemos  aulas de tai chi e kung fu com o Dirceu Coelho e assim podemos afirmar que este trabalho surgiu a partir da pesquisa de movimento, em um processo colaborativo de criação, em todas as suas camadas (design, cenário, figurino, dança, produção).

Contamos com a colaboração de alguns especialistas para aprofundar os conteúdos que estávamos tratando. Conversamos com Hildebrando Campestrini sobre a sua pesquisa do livro e de Taunay; com a dra. Nazira Scaffi, que além de nos dizer sobre o açúcar, trouxe indagações filosóficas sobre o trabalho e o livro; com a professora Maria Adélia Menegazzo, contextualizando a obra na literatura brasileira, e com Clarissa Araújo, bióloga que realizou uma pesquisa sobre borboletas e espécies encontradas aqui em MS especialmente para o Inocência.

A produção da Arado Cultural, liderada neste projeto pelo Marcos Mattos, nos trouxe uma organização fundamental para o Inocência: eles correram atrás de tudo! E sempre com um carinho tão grande que deram um ar de leveza aos malabarismos necessários em um projeto como esse. A parceria cultural com a Cia Dançurbana nos garantiu também um local de trabalho que nos aconchegou.

Temos agora mais uma obra em dança que, como o livro de Taunay, olha para questões de pessoas que vivem neste lugar que muitos enxergam como um «vácuo», como era chamado o atual Mato Grosso do Sul. Esta é uma tentativa de preencher com matéria corporal o espaço que habitamos. Com afeto, tentando escapar das armadilhas dos nossos casulos de açúcar.

3 de ago. de 2012

prrrodução!!!

Três dias intensos e a convivência tá boa, tá ótima. Prova de fogo das parcerias, né!
Pra mostrar um pingo do ralo que é a produção de um espetáculo ;)


Paula Bueno na direçao
Re Leoni, Guilherme Leoni e Camila Emboava no palco
Marcos Mattos e Ralfer Campagna (Arado Cultural) na produçao
Mary Saldanha no cenário e figurino
Fran Cavalheri no make up, preparaçao corporal e fotografia
Adriel Santos na fotografia
Helton Pérez e Walter e Klunc (equipe Vaca Azul) no vídeo e fotografia
Ana Maria Rosa e Roberta Siqueira no apoio


(faltou uma foto do Adriel, que além das fotos, colocou a mao na massa também)




Mary Saldanha

Mary e o Ralfer Campagna, na montagem do cenário

Helton Pérez e Walter, vacazulando.

Marcos Mattos e Ralfer Campagna, em um segundo de descanso. um só!

Camila Emboava, Guilherme Leoni, Renata Leoni, Paula Bueno e Joaquim no forno, pronto pra desencasular

Fran Cavalheri e Re Leoni, preparando a beleza ;)

INOCÊNCIA na Escola Estadual Maria Constança Barros Machado

Segundo dia da maratona nas escolas, com três apresentações!
Dessa vez foi na Escola Maria Constança, prédio projetado pelo Oscar Niemeyer. Pela manhã fomos assistidos por um batalhão de estudantes do ensino médio, que se espalharam até pela grama lateral, de tantos que eram. O reboliço foi grande!


A tarde foi o ponto alto da nossa experiência nessa escola, com um público menor, mas muito atento. Algumas preciosidades nos comentários e perguntas, principalmente em relação à trilha sonora e à dança contemporânea também.


À noite fomos surpreendidos por dois figuras que vieram conversar com a gente com interpretações fantásticas sobre o movimento corporal de algumas cenas. O legal é que com essa experiência, a gente acaba aprendendo sobre o que estamos fazendo, por mais clichê que isso soe. 


Dá satisfação de ver que esse trabalho comunica com o público que havíamos pretendido, sem forçar a barra de tentar "falar a língua deles". É uma conversa, como são as conversas: pessoas diferente trocando experiências. 


As fotos são do Adriel Santos e Franciella Cavalheri:


foto Adriel Santos

foto Adriel Santos

foto Franciella Cavalheri


foto Franciella Cavalheri

2 de ago. de 2012

INOCÊNCIA na Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues

Essa foi a nossa estreia!
Uma escola de ambiente receptivo, em um dia bonito. Estávamos apreensivos com a recepção do trabalho.. A gente se perguntava como é que vão receber tanto conteúdo misturado com momentos de silêncio e intérpretes tão diferentes em cena? Nem no nosso melhor sonho pensávamos na reação que tivemos do público.

Alunos do 2° e 3º ano familiarizados com o livro Inocência, que fizeram perguntas pertinentes, reagiram bem às cenas que precisam de mais concentração e estavam de ouvidos e olhos abertos à nossa proposta. Sabemos que tudo isso é mérito também do ambiente criado pelos educadores, e por isso tiramos o chapéu para toda a equipe da escola. Foram aproximadamente 150 alunos à tarde e 250 à noite.

Parabéns e obrigada aos alunos e professores que compartilharam com a gente duas sessões de estreia inesquecíveis para o Corpomancia.

FOTOS HELTON PÉREZ (VACA AZUL)

foto: Helton Pérez - VACA AZUL

foto: Helton Pérez - VACA AZUL

foto: Helton Pérez - VACA AZUL

foto: Helton Pérez - VACA AZUL

estudos para Inocência: conversa com HILDEBRANDO CAMPESTRINI

Foram tantas buscas para chegar a um resultado de trabalho! Neste caminho, contamos com a colaboração de pessoas importantes para aprofundar assuntos que vamos abordar no espetáculo (mesmo de forma inocente). Vamos soltar aos poucos as conversas... Aqui está a colaboração do prof. HILDEBRANDO CAMPESTRINI, quem a gente agradece de coração pela disposição em nos falar de sua pesquisa e pelas histórias contadas. Agradecemos também ao Instituo Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul.

Eis aqui um prato cheio pra quem quer se aprofundar também nesta história:



Esta é o link para compra da edição histórica do prof. Hildebrando (clique para acessar):


31 de jul. de 2012

INOCÊNCIA, por conectivo corpomancia (teaser)

Esta semana começamos as apresentaçoes do INOCÊNCIA. Primeiro, 8 sessoes em escolas estaduais em Campo Grande. Depois, dia 9 (quinta-feira), no teatro Aracy Balabanian. Estao todos convidados.

3 palavras pra definir o momento: borboletas no estômago.

30 de jul. de 2012

Inocência nas escolas


Na quarta-feira (1) o espetáculo Inocência estreia na Escola Estadual Maria José Hugo Rodrigues. A apresentação abre uma temporada em escolas estaduais para estudantes do Ensino Médio. Na quinta-feira (2), o espetáculo será apresentado na Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado e na sexta (3), na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho. As apresentações do dia primeiro serão realizadas nos períodos vespertino e noturno. Nos dias 2 e 3 haverá apresentações de manhã, à tarde e à noite.

O espetáculo “Inocência”, aprovado pelo prêmio Klauss Vianna 2011 da Fundação Nacional de Artes (Funarte), tem como ponto de partida a obra homônima do escritor Visconde de Taunay, cuja leitura costuma ser cobrada em alguns vestibulares do país.

O livro, publicado em 1872, foi um marco do romance regionalista brasileiro e pode-se dizer que é o romance símbolo de Mato Grosso do Sul. A trama acontece na região de Sant’Ana do Paranaíba, em terras que atualmente são sul-mato-grossenses. A obra foi feita a partir de uma viagem do autor para a região e tem grande importância na literatura nacional por retratar o sertão brasileiro de forma realista. Na época, a área era conhecida como vácuo e o retrato da região exótica despertou o interesse do Brasil e de muitos outros países europeus, o que fez da obra uma das mais traduzidas da língua portuguesa.

O espetáculo de dança “Inocência” parte do olhar de três intérpretes com experiências distintas que se relacionam através da dança com os temas despertados por uma leitura atual do livro.

Direção: Paula Bueno
No palco: Renata Leoni, Guilherme Leoni e Camila Emboava
Cenário e figurino: Mary Saldanha
Assistência de direção: Francielle Cavalheri
Produção: Arado Cultural

Então toi toi toi pra quem é de toi toi toi, merda pra quem é de merda e vambora!

25 de jul. de 2012

Efeito borboleta

Já é quase agosto e estreia do Inocência vai se aproximando a uma velocidade incrível. Nos dias 1,2 e 3 faremos apresentações em escolas para estudantes do Ensino Médio e no dia 9 estaremos no Teatro Aracy Balabanian. 

A menos de uma semana da primeira apresentação é fácil entender que o tempo, de fato, é relativo. E se estamos pertinho da nossa 'chegada', a hora é boa para olhar a trajetória percorrida. 

Um dos nossos pontos de partida para a criação do espetáculo foi a borboleta. No começo do processo, para conhecer mais sobre as borboletas, visitamos o Museu das Culturas Dom Bosco (muita gente conhece como Museu do Índio), que tem uma coleção muito rica em espécies.








6 de jul. de 2012

corpo a corpo

 Na edição de junho da revista Bravo! li uma matéria sobre o escultor britânico Anthony Gormley, que tem o seu trabalho exposto no Brasil. São mais de 30 esculturas que retratam ele mesmo (oh, yeah) e o que me chamou a atenção e faço aqui um paralelo com a nossa pesquisa para o Inocência é a ponte que ele faz do trabalho de escultor com a Teoria Geral da Relatividade, olha só:  

“É difícil ser um escultor hoje e não ter interesse em como a noção de matéria foi completamente reformulada desde a Teoria Geral da Relatividade, de 1915. Em como fomos afetados pelo reconhecimento de que o tempo é uma dimensão do espaço e que o espaço é uma dimensão do tempo"
Na nossa pesquisa chegamos neste lugar, mas a partir da perspectiva da dança. Achei q vale a pena compartilhar a matéria: http://bravonline.abril.com.br/materia/corpo-a-corpo#image=178-av-gormley-1

13 de jun. de 2012

Conversa matinal

As lembranças/conexões não foram minhas não. Foram do Zé (em bate papo hoje cedo sobre as intenções do Inocência com a Teoria da Relatividade Geral de Einstein). Falei pra ele sobre essa ideia de espaçotempo e ele veio com uma outra ideia (embalada pelo movimento) em que a barriga da Paula fosse um exemplo, nas palavras dele: a Paula está grávida de tempo e o Joaquim, bebê da Paula, já está com um espaço de sete meses. Em breve as leis da gravidez e da gravidade se confrontarão. Daí ele lembrou de uma canção do Caetano Veloso que também fala disso.

23 de mar. de 2012

projetando o cenário


Estamos aqui no ensaio hoje pensando no elemento cenário. A Mary está projetando e a Re e o Guilherme dando uma mao no conteúdo... tudo ainda bem no começo da pesquisa.  Assim vamos pensando na construçao do espetáculo de forma integrada, juntando as moléculas de pensamento (movimento também é pensamento). 

Química pura. 

28 de fev. de 2012

Guilherme Leoni não é inocente, interrogação.


Ainda não havia falado dele, o "Gui", segundo elemento dessa proposta do Inocência. Conheci o Guilherme no começo dos anos dois mil, quando eu ia pro Ginga de carona com a Re (na época diretora da Cia), e na volta ela passava pra pegar o filho na escola. Um dia ele entrou no carro falando de uma prova, de como a matéria era fácil e explicou a resposta de cada questão. 

- mas e aí, filho, quanto você tirou na prova?
- ah, mãe, a prova tava fácil demais, nem respondi. 

Sempre achei o Guilherme um cara performático, dono de uma oratória sem limites. Ele gosta de contextualizar cientificamente o mundo e fala assim com a Re:

- mãe, deixa eu te explicar de um jeito que você entenda...

Nesse olhar focado que tive em relação a ela no decorrer do ano passado, enquanto projetávamos o Inocência, fui conectando as questões que ela levantava com a sua relação com o Gui. Afinal, Inocência é um livro que fala da relação de uma adolescente do século 19 com o seu pai. Como seria então a relação de uma mãe do século XXI com o seu filho? 

O Gui aceitou o convite dizendo OK, eu não me importo de subir no palco, e vem construindo com a gente novas noções de movimento a partir da sua biologia, física, dos seus desenhos e dos seus abraços na mãe. 

23 de fev. de 2012

Camila Emboava no Inocência


Então precisávamos de um elemento a mais, já que o projeto Inocência tem prazo e o elemento "Paula" virou casulo. Na impossibilidade de outros membros deste conectivo, pensamos quem seria uma pessoa com potência para o cargo: esse de trazer a própria Inocência pra o nosso tempo e se mostrar pessoa ao desvestir a personagem.

A Camila é uma pessoa que a gente vê acompanhando o coletivo, e mais do que isso, é uma pessoa que a gente vem acompanhando há um tempo, nas apresentações do Estúdio de Dança Beatriz de Almeida, nos textos que produz, nos lugares em comum que a gente frequenta e em uma oficina que a gente deu no Ofurô e que nos deixou impressionadas com a sua disposição, ação, movimento.

Já estávamos conectadas e agora, oficialmente. periodicamente.

http://historiasdealemmar.blogspot.com/

casulo

e quando a gente é o próprio casulo?
a tecnologia permite assistir a essa transformação, lá dentro... de fora.. de dentro? pq a ideia de um parasita soa ruim? casulo de gente que se move, antes mesmo de ser bailarino, ANTES DE PODER OUVIR UMA MÚSICA. mas já tem batida, frequência, impulso. o que é que faz a gente se mexer? o que é que faz a gente sair do casulo?

instinto é sinônimo de inteligência, descobri.