19 de jun de 2017

Mais de SEM CERIMÔNIA - EM RESIDÊNCIA. Um relatório perceptível.

De 'Me=Morar' a 'Sem cerimônia - versão 2017', de coletivo ao conectivo, de Campo Grande, passando por Rondonópolis, Cuiabá, Aparecida de Goiânia e Goiânia, o que me é revelado é o espelho vivo das nossas carências. Digo quanto Fran, quanto 'ser cidade', no enfrentamento destes abandonos - dos nossos e dos outros - em pontos menores (esquinas, postes) até maiores (antiga estação ferroviária de Goiânia, no centro da cidade, completamente abandonada). 
Quando escolhemos ser conectivo, no lugar de coletivo, olhamos pro aspecto da criação horizontal que é dura, trabalhosa porque a tolerância é a matéria-prima para criar. Isso quer dizer que engloba argumento, ego, desejo, dúvida, consenso, agonia de frente pra gente, já que nos tornamos espelhos, nos vemos e refletimos (no sentido de projetar) o tempo todo. E é isso que queremos e não reclamo. Este jeito de trabalhar acaba criando um campo muito fértil para compor a dança que queremos fazer.
Sendo assim, o 'Sem cerimônia' se tornou um tiro de improviso, uma espécie de "papel em branco, que desenha e se modifica em tempo real. O negócio agora é sobre como lidamos com "isso" tudo. "Isso" é real, é a rua, é cidade e poderia ser em qualquer lugar - "ser-cidade", "ser-escola", "ser-monumento", "ser-rua", "ser-fluxo", "ser". Na hora, bate coragem com a covardia, bate vontade e cansaço, bate sol, bate sede, nojo, as vezes medo, bate desejo e aí bate bastante resistência.





Além da rua, escolhemos também "ser" grandes histórias de abandono. Primeiro no Casario de Rondonópolis, hoje adotado por artistas e comerciantes da região, que fizeram do lugar um espaço simples - de encontros, bons petiscos e arte... Lindo!
Depois a Antiga estação ferroviária de Goiânia que, ao avesso do Casario, representa hoje um lugar negado = um esforço para esquecer a sua existência. 
A nossa resistência, reafirmada anteriormente com as intervenções de rua, virou teimosia e ocupamos por 4 dias o lado 'de fora' da estação, contra todas as previsões de impossibilidade de realização da ação.


Henrique trabalhando na ocupação. Repare o morador de rua no fundo.


4 dias mesmo não tendo se quer banheiro, água e uma secretaria de cultura que nos recusou qualquer suporte. Por fim, nos vimos de preto, no fim da circulação, velando a história dos outros. Fomos estrangeiros tentando fazer parte.




video
Um grande redemoinho na estação e mesmo sendo no centro da cidade, a sensação de só nós termos visto

E aí, em conseqüência desta vivência, lá vem do novo aquele grito de "ser - é ser político" com a lembrança da nossa casa (Campo Grande/MS),  que tem a antiga rodoviária e o centro de belas artes também abandonado - lugares que nos esforçamos para esquecer. Somos parecidos e abandonamos também, da mesma forma que somos abandonados.
E seguimos por vezes escolhendo o caos, o vácuo e na resistência, produzimos.


Escrito por Franciella Cavalheri - Conectivo Corpomancia.










13 de jun de 2017

em RESIDÊNCIA, Cuiabá

Chegamos em Cuiabá dia 02 de junho (sexta) e fomos surpreendidos por um clima fresco que pairava sobre a cidade. Saímos, no período da tarde, prontos para conhecermos os possíveis espaços para as intervenções, e de cara, notamos um maior fluxo de pessoas pelas ruas comparado a Rondonópolis, assim também eram os seus centros urbanos, e isso é sempre um poço de ansiedade e surpresa, novas expectativas, novos encontros...

Realizamos três intervenções na cidade, uma no primeiro dia próximo à Praça da República e as outras duas no dia seguinte (03), de manhã nas redondezas da Praça Ipiranga e a noite na Orla do Porto.

Foto: Matheus de Luca

Fomos marcados pelas texturas e contrastes de uma cidade em desenvolvimento, a cidade verde, que bebe de todas as fontes e cores, do piche do asfalto aos históricos prédios perdidos em algum tempo-espaço, camuflados entre os longos calçadões de comércio e a diversidade de habitantes em movimento. Fomos a conhecendo, a cada dança, banco, chão, ponto de ônibus, meio-fio, buzina, esperas, passagens, faixa de pedestre, árvores, cheiros, sons e ruídos intermináveis... Uma cidade em trânsito, efervescente, mas em alerta, movida pelo seu próprio trânsito, onde transeuntes permaneciam, olhavam, falavam e acenavam. Curiosos em cada caminhada e receptivos a cada troca... Era um mundo a cada esquina, uma vitrine em muitos corpos, um porto de cidade!

Foto: Roberta Siqueira

4 de jun de 2017

em RESIDÊNCIA, Rondonópolis

Foto: Ana Cristina Rodrigues
Depois de alguns meses de trabalho e organização para mais uma experiência corpomante, chegamos na nossa primeira parada, Rondonópolis-MT. Como programado realizamos duas intervenções pela cidade, uma em todo o arredor da Praça Brasil e a outra com início na Avenida Amazonas e desfecho na Praça dos Carreiros. Um turbilhão de sensações em cada percurso!!!


O imprevisto e a improvisação vem se tornando aliados sem cerimônia neste trabalho, jogamos com diversos estímulos e tentamos capturar o que a cidade nos oferece em sua arquitetura física e social. Solto aqui uma sensação de nossa produtora, Roberta Siqueira, durante a residência que alimenta a relação ARTE É pelo viés da corporeidade de Wagner Wey Moreira:

Pelas ruas a pergunta "o que é isso?", em nós a experiência de que é isso, é movimento, é dança na rua, é vida entre vidas, entre as histórias da cidade.
Fotos: Roberta Siqueira e Ana Cristina Rodrigues
Quando fomos para o Casario, onde realizamos a ocupação artística + videodança, conhecemos a beleza deste espaço/lugar que já serviu para abrigar as comitivas de Marechal Rondon. Hoje, várias iniciativas resistem para que ele permaneça vivo e foi a partir desta realidade que criamos uma ocupação em acordo com o que já estava estabelecido ali. Não se tratava de um espaço de abandono, mas sim de um espaço que já é lugar. Criamos um roteiro itinerante que perpassava entre os ambientes internos e externos, preenchia o reduzido e o ampliado, sob a sensação de ocupar e desocupar... Fluir e permanecer, projetando vidas, limites e passagens para o próximo encontro. Sendo vazio e ao mesmo tempo cheio. Sendo casario, casa e rio.

Foto: Gabriela Palomo

28 de mai de 2017

Sem Cerimônia: em RESIDÊNCIA


De 30 de maio a 08 de junho, o Conectivo Corpomancia, de Mato Grosso do Sul, embarca para Mato Grosso e Goiás, com o projeto ‘Sem cerimônia: em Residência’, contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015. Serão realizadas intervenções nas cidades de Rondonópolis, Cuiabá, Aparecida de Goiânia e Goiânia com o trabalho “Sem cerimônia: ser cidade”. Além das intervenções será realizada uma ocupação com exibição da videodança “me=morar: o corpo em casa” em duas destas cidades: Rondonópolis-MT e Goiânia-GO.


‘Sem cerimônia: ser-cidade’, traça uma relação entre o corpo e a cidade (suas calçadas, vitrines, postes, faixas de pedestre, monumentos, pontos de ônibus, meio fios e pessoas), com o propósito de pesquisar a fronteira entre movimentos cotidianos e dança. As intervenções urbanas acontecem pelas ruas da cidade, sem aviso prévio, o objetivo é provocar um ruído no cotidiano urbano e chamar atenção para as questões do corpo na rua. Ariane Nogueira, Franciella Cavalheri, Henrique Lucas, Marcos Mattos e Ralfer Campagna são os intérpretes-criadores que dão vida as ações.

A intervenção busca assinalar a poética das cidades, dos seus espaços de conviver, de transitar, de se relacionar e assim provocar sensações no cotidiano das pessoas que eventualmente possam ter um contato, ainda que breve e inesperado, com a arte e com a dança, em seu dia a dia.

Para a ocupação, em Goiânia, foi escolhida a Antiga Estação Ferroviária e, em Rondonópolis, foi escolhido o Casario, complexo arquitetônico e sócio-cultural composto por 24 casas feitas de adobe e alvenaria (estilo anos 40), que abrigaram as comitivas do patrono da Comunicação, Marechal Rondon, durante as expedições para a instalação das linhas telegráficas na região. Nestes locais será criada e apresentada uma ação cerimoniosa, promovendo a discussão sobre a dança nos contextos urbanos. Durante esta atividade será exibida a videodança “me=morar: o corpo em casa”, que foi produzida a partir do espetáculo “me=morar”, criado e apresentado em uma casa na Vila dos Ferroviários em Campo Grande-MS, viabilizado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2008. A videodança explora a questão da memória trazendo à tona sensações despertadas pela casa antiga, daí a escolha da Estação e do Casario para a exibição do material, um lugar histórico da cidade e que tem similaridade com o local onde o vídeo foi gravado.


O projeto ‘Sem Cerimônia’ foi executado pela primeira vez em 2012 por meio do Prêmio Funarte Artes na Rua 2011, que proporcionou ao grupo novas possibilidades de experimentar a dança e a sua inserção no dia a dia das pessoas. Com intervenções na rua e na antiga rodoviária da capital sulmato-grossense, o Conectivo pôde experimentar e propor ruídos no cotidiano das pessoas a fim de aproximá-las dos movimentos de dança e da fronteira tênue entre esses ‘movimentos’ e o movimento comum delas. O sucesso da proposta estimulou o grupo de artistas a buscar novas oportunidades de apresentá-la ao público, assim nasceu a ideia de levar este trabalho para quatro cidades da região centro-oeste: Rondonópolis-MT, Cuiabá-MT, Goiânia-GO e Aparecida de Goiânia-GO.

Ficha técnica
Concepção do projeto: Yan Chaparro

Intérpretes-criadores das intervenções: Ariane Nogueira, Franciella Cavalheri, Henrique Lucas, Marcos Mattos e Ralfer Campagna
Trilha sonora: Jonas Feliz
Realização: Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015
Apoio: SESC MT

Produção: Arado Cultural (Roberta Siqueira)

30 de jun de 2015

:: Perfil :: Ralfer Campagna



:: Carbono 14 :: 
Às 14h e 15 minutos do dia 28 de junho de 1990 nasce uma criatura com 4 quilos e cento e dez gramas.

:: Memória Corporal ::
Desde cedo, a fazenda era um dos grandes espaços de possibilidades do seu corpo (se machucar) em meio as brincadeiras com os primos e tios: corrida de barril (sim, a gente dentro), pega-pega no chiqueiro, soltar bezerro, apartar o gado, subir em árvore, corrida a cavalo, entre outras práticas que alimentavam o lado Cowboy de ser. Do outro lado, na cidade também participava destes jogos tradicionais (quase extintos) das ruas, onde se juntava toda molecada para um esconde-esconde, pique no alto, pular corda, futebol e qualquer outra brincadeira que vinha em mente. Já fez natação e por um bom tempo trabalhou abrindo porteira para o seu pai que era leiteiro. Precisava ser ágil... Atenção concentração, ritmo vai começar: olhar, abrir a porta da caminhonete, pular, abrir a porteira, seu pai passar, fechar e subir na brisa da carroceria... Ufa! Tudo isso umas “miliveis” ao dia. Entre os intervalos desta corriqueira rotina, já se sentia motivado e seduzido pela dança, seu corpo já correspondia as batidas, as melodias e aos compassos das músicas que escutava na rádio. Conheceu a dança dentro de casa, com a irmã, experimentou e brincou com o famoso Axé da Bahia ao som do É o Tchan, e acreditava ser algum tipo de jacaré branco do MS. Em 2002 participou do Projeto “Nessa Rua tem Talento” da Casa de Ensaio, onde teve seu primeiro contato com uma professora de dança – Gisela Dória. Ganhou uma bolsa para as aulas regulares de balé, porém sua família não deixou participar. Saiu do projeto e só voltou a ter contato com a dança (fora do banheiro) em 2009 quando conheceu as danças urbanas, e depois, não parava de dançar...

:: Pedaço de papel importante pra sociedade ::
- Graduando em Educação Física (Licenciatura) pela UFMS.

:: O ganha pão ::
Intérprete criador, professor de danças urbanas, produções artísticas e se arrisca como designer gráfico, colaborando e criando na área.

:: O que te move ::
O olhar, o sentir, a dança, as amizades, o desconhecido, o sorriso... Além de cinema/filmes, purê de batata, idiotices, fotografia, aventuras, viajar, azul (sim, é a cor mais quente), o momento, a lembrança, o equilíbrio da vida e transformação do ser humano.

:: No Conectivo ::
Sorrateiro, jeitinho mineiro da família de sua mãe, chegou como assistente de produção no trabalho Inocência (2012) e aos poucos foi se aproximando da “tchurma”, realizando outras produções. Em 2014 recebeu o convite para circular com o projeto Sem Cerimônia: Ser Cidade pelo interior do estado de MS, gostou da ideia e procurou somar.

16 de abr de 2015

ESCALENAS estreia em Campo Grande, dias 22 e 23 de abril de 2015


Amizades, amores, estados emocionais, encontros e desencontros, humores: sentimentos e ações que fazem parte do universo feminino são encarnadas, por três bailarinas intérpretes, no espetáculo “Escalenas”. A ‘mulher’ é o foco principal deste trabalho do Conectivo Corpomancia. As apresentações são gratuitas e acontecem nos dias 22 e 23 de abril, com sessões às 19h e 20h30, no Teatro Aracy Balabanian, em Campo Grande-MS. 

O espetáculo surgiu de um encontro do Conectivo Corpomancia com a coreógrafa Esther Weitzman, do Rio de Janeiro-RJ. A profissional foi convidada para contribuir com o trabalho “Maria, Madalena”, de 2010, do repertório do grupo. Por meio de um projeto de Intercâmbio entre os espetáculos “Maria, Madalena” e “Jogo de Damas” (da Esther Weitzman Cia de Dança e convidadas), aconteceram alguns encontros em maio e novembro de 2014 entre as companhias. Destas reuniões, aproximações e trocas, surgiu o “Escalenas”, que aborda o universo feminino de três mulheres de personalidades bem diferentes.

Em fevereiro e março deste ano, o espetáculo foi apresentado em quatro cidades da região Norte do Brasil: Porto Nacional (TO), Palmas (TO), Belém (PA) e Rio Branco (AC), por meio do projeto ‘Corpomancia em Circulação’, contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013, da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Agora é a vez de Campo Grande-MS receber a apresentação por meio do Prêmio Célio Adolfo de Incentivo à Dança 2014. 

“Três lados, três bailarinas intérpretes, três mulheres. E mais. Mulheres aos borbotões: se encontrando, se perdendo, se relacionando. No palco elas brincam, experimentam e desenvolvem no espaço inter-relações. Seus corpos se enlaçam e se amarram; desenham nós. Reúnem-se para vivenciar em conjunto experiências nas quais a multiplicidade dessas personas propõe estímulos diversos”. 


9 de mar de 2015

circulando 4: em Rio Branco

Hoje, logo cedo, matéria no jornal local Bom Dia Amazonia

E no caminho para o local da gravação, cenas da enchente que assola a cidade e parte do estado do Acre. Muita destruição e tristeza por aqui...

barquinhos para o transporte das pessoas
Marca d'água nas casas




8 de mar de 2015

Circulando 3 - Em sintonia com Silvia

Foi uma explosão, sinto assim.  Tanto contraste, tanta cor, des-cor, data, gente, abandono, calor. Tanto sabor, tanto açaí, tanto cheiro, tanta flor, tanta religião. Tanto olhar, mão... Tanto coração.

De Fafá, de Cacá, de Tainah. De Roberta, Laura, Renata, Silvia, Paula... Joaquim e o Adriel da Fran. 

Da arte respirada ali - paredes rosas e históricas, assim como Inocência. O lá e cá (entre teatro e a escola) tipo escalenas.


Do choro na garganta por esse lugar. De tanto palco, tanto carimbó, de tanta saia. De laje encantada pra fechar.

De amor. 
Com amor. 
Por amor, Belém do Pará.

circulando 3

Pra uma cidade cheia de cheiros e cores levamos nossas mulheres. Vestidas de inocência, ansiedade, maturidade e incômodos. Vestidas de formas geométricas e curvas e nós e cumplicidade e pequenos atritos. Belém do Pará, das docas, do açaí, das castanhas e tantos sabores. Belém que pulsou junto com a gente três espetáculos, uma oficina e muita risada. Exploramos. O movimento, o suor, as texturas, a entrega, o desfrutar. Desfrutar, palavra que combina com Belém. A imensidão de um rio que parece não ter fim abriu nossos espaços internos e nos concedeu a permissão para nos permitirmos permitir a liberdade. Na cena, na vida, no Teatro Universitário Claudio Barradas que especialmente emoldurou nossa arte. Deixamos Belém querendo só mais um pouquinho vai?! Já que eu já comecei...

3 de mar de 2015

circulando 2 - apresentação do "Escalenas" em Palmas

Chegamos em Palmas. A capital do Tocantins é muito bonita. Com avenidas largas e a natureza emoldurando os poucos prédios e muitos carros que circulam por aqui. A cidade é cheia de rotatórias (lembra um pouco Goiânia e Brasília) e o trânsito é meio maluco (tipo a lei do mais rápido/esperto).

Fizemos nossa primeira ação na cidade: uma oficina para adolescentes de um projeto social no Centro Juvenil Salesiano Dom Bosco, onde são realizadas várias atividades artísticas para a comunidade. A princípio tímidos, os participantes foram entrando na brincadeira e ao final estavam mais soltos e sorridentes. Foi uma troca bem gostosa pra nós. Todos receptivos e carinhosos com a nossa proposta de interação. Destaque para uma garotinha linda que encantou a todos com a sua timidez e coragem em se lançar em algo tão desconhecido.

Oficina em Palmas por Laura de Almeida
Esses encontros com as pessoas das cidades é muito bacana. Dá pra conhecer um pouco da realidade de cada lugar, a maneira como entendem a dança e como se assemelha com a nossa realidade apesar da distância que nos separa.

A noite apresentamos o espetáculo "Escalenas" no Teatro do SESC. O Teatro é uma delícia!!! Um palco bastante confortável no qual foram acomodadas cerca de 100 pessoas. Optamos por realizar a apresentação junto com o público no palco para experimentar essa aproximação que é sempre marcante.

O público, formado principalmente por alunos do EJA do SESC, ficou atento aos jogos e brincadeiras propostos no espetáculo e houve até "briga" por lugar no palco. Alguns se acomodaram no chão e puderam assistir, talvez pela primeira vez, um espetáculo de dança contemporânea. Acho que se divertiram!!! Tivemos a presença de uma participante da oficina, que levou um amigo, e que ficou impressionada com a possibilidade de se "dançar" sem música.

Público em Palmas por Paula Bueno



A TV local também apareceu para a cobertura do evento. A matéria foi veiculada hoje, logo cedo, no Bom Dia Tocantis e serviu de divulgação para a nossa apresentação de hoje, com o outro espetáculo da circulação, o "Inocência", em duas sessões, uma às 18h e outra às 20h. 
E vamos em frente!!!




1 de mar de 2015

circulando 1

No dia 25 de Fevereiro, às 4 da manhã o Conectivo se encontrou no aeroporto de Campo Grande pra dar inicio à Circulação pela Região Norte. Destino 1: Tocantins. Porto Nacional foi a primeira cidade a nos receber. E posso dizer que de braços abertos. Com uma população em torno de 50 mil habitantes e um cenário quase bucólico, a cidade acolheu o Conectivo e prestigiou duas sessões do espetáculo Inocência, dia 26 e no dia 27, uma sessão do Escalenas e uma oficina de Dança.


Catedral de Porto Nacional por Silvia Razuk
Por do Sol Porto Nacional por Silvia Razuk
Achei interessante que algumas pessoas do público pediram para tirar fotos com a gente no fim dos espetáculos. E fiquei me perguntando o que exatamente elas gostariam de registrar. Talvez o desejo de deixar presente por mais tempo as sensações que os trabalhos causaram? Talvez nesses lugares meio esquecidos quando se trata de vida cultural exista um fascínio maior por essas figuras que se colocam no palco? Talvez seja simplesmente o hábito atual de fotografar tudo o que se vê pela frente e compartilhar nas redes sociais? ...

Na oficina senti por parte dos participantes uma mistura de curiosidade, estranhamento e entrega. Eram em torno de 15 olhares, 15 corpos, 15 expectativas, 15 maneiras de responder aos estímulos. Como é rico esse universo chamado ser humano; chamado movimento! 

Consciência corporal a partir de diferentes qualidades de toques no próprio corpo, sequência coreográfica, exploração de movimento, repertório de danças circulares, criação, videodanças, conversa, foi o conteúdo que preencheu três horas na tarde daquelas pessoas. E na nossa tarde. Na nossa vida, na nossa arte. Possibilitar a troca e o diálogo é o que a gente gosta de fazer! E que venha Palmas, Belém e Rio Branco!

Oficina Porto Nacional por Maíra Espíndola

 Escalenas por Maíra Espíndola

Inocência por Maíra Espíndola

27 de fev de 2015

:: Perfil :: Maíra Espíndola


:: Carbono 14 :: 
(Ou: Que idade eu tinha quando nasci?)

Atingida por meio milhão de raios cósmicos por dia eu ainda penso na pergunta: que idade tinha quando nasci? Uma pergunta imbecil que num desses momentos perdidos na memória ecoou como um mantra: plena de sentido e sem sentido algum. Volta e meia ela me sopra a dúvida sobre essa pré-existência, sobre tudo que tem de informação no meu sangue e que não consigo decifrar com a mente agarrada às palavras. É certo que depois de tantas rajadas radioativas do sol sob esse corpo (que me veste), um dia ele definhará. A linha reta do tempo talvez seja uma espiral vertiginosa e os corpos morram com o objetivo de ceder átomos pra respiração de outra vida, outra coisa. Deixaria, então, a carcaça pra futuros pesquisadores debulharem teorias sobre a existência no passado. Com suas pinças e conhecimentos de isótopos radioativos poderiam precisar a idade que eu tinha quando morri. Certamente não definiriam a emoção que senti ao ver pela primeira vez um cavalo. Ou que tive em vida uma predileção por folhas verdes escuras. Ou ainda que idade tinha quando nasci. Mas eles saberiam quanto tempo passou por mim. O engraçado disso tudo, também o mais misterioso é isso que nos atravessa e que só nossas relações particulares com as escolhas e o tempo, com o all around faz ferver: sentimentos atávicos - àqueles que me ligam biologicamente ao alienígena mais antigo da galáxia, ao mamute, à primeira criatura unicelular. Isso mesmo! Não é estranho se ver em um edifício da bolsa de valores sentindo-se uma fera?! Por atavismo ou por algo maior que todos nós. Pela vibração desses átomos todos juntos. Enfim, teria quando nasci a idade da Terra. A data aproximada de tudo que borbulha nesse caldo. E isso nenhum cientista pode até hoje prever, já que provar, experimentar, vivenciar essa sensação maluca que nos liga... Isso todos provamos.

25 de fev de 2015

:: Perfil :: Tetê Irie


:: Carbono 14 ::
Nasceu em Dourados no ano de 83. Dia 28, mês de maio, frio. No parto - pélvico - quebrou o braço esquerdo. 

:: Memória corporal ::
Na infância, o corpo era alavanca para deleites na natureza: subia em árvores caçando ninhos; nadava e pulava em açudes, rios e mares - ainda hoje, ama nadar em água sem cloro! É uma de suas maiores paixões, quase sagrada... A critério da mãe, passou por cursos de ballet e ginástica olímpica - achava estranho. Fora compreender anos mais tarde, nas aulas de circo que se dedica atualmente, quando o tempo lhe permite.  Há um ano e meio, retomou o hábito regular de praticar yoga e andar de bicicleta  - quietude, vento!

:: Pedaço de papel importante pra sociedade ::
Graduou-se em Artes Visuais na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul no ano de 2008

:: O ganha pão ::
Trabalha com Produção Cultural; bem como criação de figurinos e cenários para espetáculos.

:: O que te move ::
Troca de ideias e mergulhos profundos. Ocasos.Conhecer coisas novas; até mesmo as velhas: pessoas, poemas, imagens. Cores, aromas e paisagens.

:: No Conectivo ::
Auxilia na direção artística/visual dos trabalhos, sobretudo na concepção de figurinos e cenários. 

:: Perfil :: Roberta Siqueira


:: Carbono 14 :: 
Nasceu em 03 de novembro de 68, na Vila Piloto da CESP e foi registrada em  Três Lagoas/MS, escorpiana com ascendente em escorpião.

:: Memória Corporal ::
Descendo a rua da ladeira só quem viu, é que pode contar ... (Sá Marina – Wilson Simonal), dizem seus pais, que nessa música ensaiou seus primeiros passos como dançarina da vida. Ouviu uma entrevista com Boby Macferry onde contou que aos 27 anos tinha absoluta certeza que ele era um cantor. Ela aos 46 anos só tem a certeza de que continua sendo uma dançarina da vida. Apaixonada pela MPB e pelo samba, herança deles, seus pais, que sempre incentivaram os seus movimentos no balé na escola, na academia, nos desfiles de moda, no Ginga... com muita história pra contar. Eles eram patrocinadores, locutores, emprestavam o carro (uma combi que só por deus, mas cabiam todos) e ainda sobrava um tempinho para ajudar a confeccionar a fantasia para o desfile de escola de samba. Na academia de dança começou aos 12 anos, no Dance Center Versatile, ingressou no Grupo Ginga (atual Ginga Cia de Dança) a convite do Chico que acreditou no potencial daquela menina de trancinha e óculos fundos de garrafa (como ele comenta que a conheceu), e que naquele ano, 86, tinha entrado, também, na faculdade de Administração. No Ginga conviveu com pessoas incríveis e algumas delas ainda estão ao seu lado, se for falar o nome de todos vai aí mais uma página. No Ginga era multi, além de bailarina corria atrás de patrocínio, e quando não eram suficientes faziam pedágio, ajudavam o Chico na produção e na divulgação dos espetáculos e tinham um lema escrito pela Lu Mamoré que estampavam em seus peitos: “Queremos ver a Dança valorizada em nosso País, como em nossos corações”. Todos tinham um amor e uma dedicação de se tirar o chapéu. Vejam só, também em 86 começou a trabalhar em banco, de lá ia para a faculdade e os demais integrantes do Grupo nesse período iniciavam a aula e a esperavam para ensaiar juntos. Faculdade de administração, trabalhando em banco, a dança era o ponto de equilíbrio. Outros rumos e deixou a dança cênica. Ela e Miriam uniram os desejos e se tornaram empresárias em 2000 quando inauguraram o Ofurô. Parar de dançar nem pensar... a Mi a apresentou as Danças Circulares Sagradas. Em 2010 pensaram porque não questionar, discutir e vivenciar o feminino de uma maneira tão apaixonante... dançando! Retomou a dança cênica em 2010 com o espetáculo “Maria, Madalena”, depois “Se você me olhasse nos olhos” em 2014, novamente pela Ginga (quanta honra) e Escalenas (2015). Agora mergulhada na dança e na produção, diz que ela, a Dança, virou desequilíbrio... muito bom!
  
:: Pedaço de papel importante pra sociedade ::
Graduada em Administração UNIDERP, 2000
Terapia Crânio-Sacral, 2004
Formação Danças Circulares Sagradas, 2008
Pós Graduada em Dança, 2010
Formação em Pilates, 2011
Aprofundamento Danças Circulares Sagradas, 2013

:: O ganha pão ::
Nas produções artísticas, como intérprete criadora e dando aulas de alongamento consciente e pilates. Pé lá na administração e pé cá na dança, e corpo e dança.

:: O que te move ::
Os trabalhos que vem desenvolvendo com pessoas muito especiais na Arado Cultural e no Conectivo Corpomancia, a vontade de aprender e de realizar, a família, as boas risadas com os velhos e novos amigos, viagens, as queridíssimas afilhadas Luisa e Clara, a música e a dança lógico.

:: No Conectivo ::
Na inscrição do espetáculo Maria, Madalena para o Festival de Inverno de Bonito, veio a pergunta: a qual grupo pertencem? ... nenhum ... desgarradas. A Fran pediu permissão aos integrantes para vinculá-lo ao repertório do Conectivo e lá estavam elas, acolhidas. Aí pensou, massa mas que responsa, porque eles são muito bons. E desde 2010  convive com essas pessoas especiais e acolhedoras  e que bom que pode aprender sempre com eles. Gratidão!

23 de fev de 2015

Maria, Madalena videodança

Lançado em Novembro de 2014, junto com a mais nova produtora Cravo Filmes, "Maria, Madalena", de Franciella Cavalheri, é uma produção que consistiu em utilizar o repertório corporal do espetáculo elaborado para o palco e com o mesmo nome, em uma casa histórica de Campo Grande - a Morada do Baís, casa de Lídia Baís (1900 - 1985), pintora cujos "assuntos que ela gosta transbordam do simples interesse pictorial, alguns deles inéditos em uma mulher" (Murilo Mendes - Carta a Mario de Andrade; 1930).

Roberta Siqueira, Franciella Cavalheri e Paula Bueno, com o olhar atento de Renata Leoni (que também fez a produção) e Adriel Santos, nosso diretor de fotografia, ocuparam a Morada por 10 dias e o filme é o resultado deste diálogo da dança com a arquitetura interna da casa (escada, sala, sacada, janelas e portas).

Por enquanto, devido a exigência de alguns festivais, não podemos compartilhar o filme na rede, mas deixamos aqui o trailer, para dar o gostinho.










19 de fev de 2015

:: Perfil :: Renata Leoni


:: Carbono 14 :: 
É de Campo Grande, de 05 de janeiro de 1963. No mesmo ano, em novembro, nasceu seu irmão, Rodolpho.

:: Memória Corporal ::
Morou em uma fazenda no Município de Terenos até os 12 anos. A memoria mais remota de experimentar a exploração do movimento vem de subir em goiabeiras. Vinha de ônibus todos os dias para a cidade estudar. Gostava de jogar futebol. Quando mudou-se da fazenda para Campo Grande, o pai achou que precisava fazer aulas de dança, pra saber se comportar melhor. Não parou mais. Aliás, só pra ter os três filhos, de 1987 a 1990. Em 1991 passou a fazer parte do elenco da Ginga Cia de Dança. Com a Ginga viajou, conheceu pessoas e definitivamente se apaixonou pela dança. Teve experiências diversas com a profissão. Atuou como bailarina, sonhando em tornar a Ginga uma Cia estável; fez as principais produções da companhia e recentemente descobriu que pode enveredar por caminhos mais criativos, seja na direção, dramaturgia e coreografia de espetáculos. Essa mudança ocorreu a partir dos encontros que teve com pensadores bem importantes da dança contemporânea brasileira. A Pós graduação em dança, cursada em 2010 instigou a volta aos palcos que ocorreu depois de 12 anos sem estar em cena, em 2012. Gosta da experiência do movimento e de descobrir-se quando em companhia de pessoas que discutem os temas da dança na contemporaneidade.

:: Pedaço de papel importante pra sociedade ::
- Farmácia-Bioquímica na UFMS em 1983.
- Pós Graduação latu sensu em Dança pela UCDB, terminada em 2010.

:: O ganha pão ::
Faz produção artística, coreografia e direção de espetáculos, além de dançar. Já foi funcionária pública. Pediu demissão para se dedicar à dança, integralmente. A mãe jamais a “perdoou” por isso. Hoje aproveita as oportunidades que a dança lhe traz.

:: O que te move ::
As amizades e uma boa conversa fiada, o trabalho coletivo, as ideias criativas, o desafio de construir algo novo e potente a partir de Campo Grande e a vontade de transformar a dança que se faz por aqui.

:: No Conectivo ::
Passou a integrar o Coletivo em 2011 a convite da Paula Bueno, para dançar o Inocência. Praticamente se convidou para o trabalho. Depois foi naturalmente se apropriando dos modos de operar do Conectivo. Já fez coreografia, dirigiu espetáculo, fez produção. Já escreveu alguns projetos do grupo, principalmente a parte das justificativas.  Gosta do que faz junto das pessoas que admira no Coletivo. 

18 de fev de 2015

:: Perfil :: Silvia Razuk




:: Carbono-14 ::
Nasceu em Campo Grande no dia 01 de Novembro de 85. Às 23:45. Era uma sexta à noite e seus pais estavam saindo para uma festa de aniversário.

:: Memória corporal ::
Ainda se lembra de quando entrou pela primeira vez na Escola de Dança Isadora Duncan. Queria porque queria fazer ballet. Mas o que a fascinava de verdade era a música. Ou melhor, o piano lindo e imponente na sala de aula. Tudo bem que ele só era tocado nos dias de exame da Royal, mas era instigador tê-lo como cúmplice e observador durante as aulas. Aí a coluna começou a doer. Doíam os pés também. Tudo incomodava. Aquela dança não cabia mais nela. Ou ela não cabia mais naquela dança. Parou. Foi fazer ginástica, natação e sei lá mais o que. O movimento sempre foi pra ela algo essencial. Vital. O fôlego. Não conseguiu ficar longe da dança por muito tempo. Voltou pro ballet e pra dança moderna. Ufa! Isso sim é legal! E então começou a intuir que mais do que hobby a dança seria sua profissão. Chegou na faculdade sem saber muito o que era a tal da Dança Contemporânea. Mas ficou. E gostou. A dança se tornou terapêutica; terapia. Uma fuga, uma viagem, algo bem concreto. Osso. Pele e respiração. Depois a dança virou trabalho, burocracia. E continua na memória e continua presente, no presente.  

:: Pedaço de papel importante para sociedade ::
- Graduada em Dança, bacharel e licenciatura, pela Universidade Anhembi Morumbi (SP)
- É dançaterapeuta formada pela Associazione Sarabanda (IT)
- Às vezes pensa em fazer mestrado, mas tem muita preguiça das formalidades e burocracias da academia.

:: O ganha pão ::
Dá pra viver da Dança? Ela tenta.  É professora, intérprete-criadora, já se arriscou na produção, mas não é seu forte. Usa a Dança também como ferramenta terapêutica. Agora está com vontade de se arriscar na direção, na provocação, na composição. Jogar faíscas mais do que estar em cena. Estar no palco é sempre uma questão.

:: O que te move ::
Crer em Deus e na vida eterna é o que a faz sair da cama todas as manhãs. Mas enquanto está aqui, contida nesse corpo físico é movida pelo movimento. Movimento espiritual, movimento emocional, movimento físico. É movida pelas efemeridades; mudanças. Empatia, compreensão. Troca. O ser humano a instiga. Conhecer o artista mais do que arte. Conhecer a essência mais do que a palavra. Conhecer o som e o silêncio mais do que a música. Observar. Ela ama poder simplesmente observar. E contemplar é um dos seus verbos favoritos.   

:: No Conectivo ::
Entrou para dar aula de Dança Contemporânea; uma espécie de preparação corporal para os intérpretes. Daí surgiu um espaço no trabalho Inocência e lá foi ela dançar.

17 de fev de 2015

A vida tem dessas coisas.2


Lá ou aqui.
Dançando juntinho ou noutro lado.
Tecendo nossa rede no processo.

Assim, tal como nos entendemos: um eixo de processos colaborativos, vamos resignificando nossas conexões e com a sorte de poder agregar outras ao longo da caminhada.

E foi mesmo o que aconteceu.
Nosso time de corpomantes cresceu!
; )

Ao longo dos próximos dias vamos postando os perfis de cada um.

13 de fev de 2015

Um percurso de Inocência, de Paula Bueno a Daniel Colin

Foi em 2007 quando ainda era intérprete criadora da Ginga Cia de Dança, que a Paula iniciou seus estudos sobre o Inocência. "O tema me encantou porque meu pai coleciona edições antigas deste livro. Comecei uma pesquisa, mas parei e o projeto não foi pra frente. Um ano depois, fiz uma videodança "Casulo" relacionada à ideia. Depois foi o "estudo para Inocência" por conta de uma matéria da pós-graduação em dança. Com o tempo, outras pessoas foram entrando, e a ideia do Inocência amadureceu bastante, como é em qualquer criação. Em 2011 eu e a Renata Leoni começamos as aulas de kung fu como preparação e algumas leituras e encontros".

A ideia de "traduzir" o livro para dança, com seus personagens e tudo mais foi totalmente descartada desde o princípio. O que a gente queria era encontrar a partir do livro, os temas relacionados à nossa vida pessoal e outros temas relacionados com as questões da vida das mulheres na época e que persistem ainda hoje. Vários assuntos foram surgindo e sendo relacionados o que resultou em abordagens relacionadas à física (teoria da relatividade), biologia (entomologia e endocrinologia), filosofia (maturidade, luta da mulher e vida plena) e kung fu (luta, kati da borboleta. No contexto do Kung-Fu, kati indica um encadeamento de movimentos).

A direção da criação e do espetáculo foi naturalmente sendo feita por Paula, que ficou grávida em 2011 e não pode dançar a sua primeira versão. Nesta altura, surgiu a Camila Emboava e a figura do meu filho, Guilherme. Camila trouxe para a cena sua inocência com relação à prática e experimentação com a dança contemporânea e Guilherme, passou a ser uma espécie de narrador que à medida que conta sobre o livro explica os temas levantados e abordados (de um jeito que a gente entenda!).


Em 2013, houve a primeira reformulação do espetáculo, com a saída do Guilherme e com a entrada da Paula, que passou também a dançar, além de continuar com a direção. Sua participação na cena trouxe mais consistência para a questão do corpo, porque é nele, no corpo, que se inaugura o desejo, motor da problemática do livro e da criação desta obra. Também em 2013, o trabalho ganhou um novo olhar externo: o do diretor de teatro Daniel Colin (RS), orientando, provocando e questionado as cenas.

Ensaio Inocência com Paula, Renata e Camila

O nome de Daniel Colin surgiu de um encontro que tivemos com ele em Campo Grande por ocasião de sua vinda aqui para uma apresentação de seu grupo, o Teatro Sarcáustico de Porto Alegre, com o espetáculo Breves Entrevistas com Homens Hediondos, do livro de contos homônimo do autor David Foster Wallace. A afinidade nos motivou a realizar ações em conjunto, unindo a experiência dele com teatro e a nossa experiência com a dança, ambos a partir da literatura. Daniel, em uma noite na feira central de Campo Grande, disse que um dia gostaria de dirigir um espetáculo de dança, daí logo veio o convite da gente!

Em 2014 o elenco mudou novamente com a saída da Camila Emboava e a entrada de Silvia Razuk. Esta mudança naturalmente gerou transformações no trabalho que está prestes a circular pela região Norte do país através do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013. 

O Daniel trabalhou com a gente, principalmente com as amarrações das cenas e com a "fala" da Camila e depois da Silvia, que passou a ser a narradora da trama e a acumular este papel além do da Inocência. O trabalho dele foi bem cuidadoso, respeitou a nossa criação e foi fazendo os ajustes necessários sem no entanto descaracterizar o que tínhamos feito e sem deixar de fazer as modificações necessárias. Mudamos texto, trocamos cenas, melhoramos a coreografia, tudo isso num clima de muita diversão e com o acompanhamento da Fran Cavalheri que foi sua assistente no processo e continuou com a gente depois que ele foi embora.

Agora em fevereiro partimos para a nossa circulação pela região norte do Brasil e esperamos que o Daniel possa estar com a gente, presencialmente, em algum momento. Já fizemos o convite. Se não puder ir, pelo menos já prometeu que vai fazer um texto dele sobre como foi a sua experiência conosco. Assunto para um próximo post.

Daniel Colin em Campo Grande - oficina Dramaturgia Cênica



Você sabe, a vida tem dessas coisas.

A gente chama o Corpomancia de conectivo porque cada trabalho acaba envolvendo o interesse, aptidão, desejo, vontade, possibilidade, de pessoas diferentes, que conectam-se para realizar um projeto (dar corpo, dar luz). É uma sincronia que a vida produz. E você sabe, a vida tem dessas coisas. Às vezes cria sincronia mais forte noutro lugar, e nossas conexões ficam distantes na geografia mundial.

Primeiro foi a Mary Saldanha. Ela que me=morou com a gente na casa na vila dos ferroviários; ela que colaborou tanto com o Inocência: cenário, figurino, material gráfico, ensaios, tai chi chuan; ela, que é uma presença sensível, interessada nas relações humanas que a arte produz, foi sabatinar na Indonésia, Bali - estende nossa conexão noutro lado do mundo.

Depois foi a Camila Emboava, nossa Inocência em pessoa, doçura, texto e som. Congelava os dedos de calcinha e sutiã nos ensaios em MS, foi esfriar a cabeça na Noruega, menos trinta graus pra sua humanidade borbulhante. Dizem que neste norte do mundo somos capazes de distinguir mais de trinta espécies da cor branca... Nos diga, quando sincronizarmos de novo, sim?


Ana Maria exportou sua Madalena para a Espanha. Foi aos poucos, deixando pedaços seus naquelas terras hermanas e lá estava ela por inteiro, nossa companheira de Jogo de Dança, de me=morar, de Maria, Madalena, de circulações, produções e desafios. Ainda estamos em sintonia, hã?! 


E assim celebramos as distâncias, o crescimento, o amadurecimento, a coragem, o tempo e, quem sabe, o retorno. Você sabe...



12 de fev de 2015

Novas conexões: rumo ao norte!


FUNARTE e Conectivo Corpomancia apresentam o Projeto “Corpomancia em Circulação” pela Região Norte do Brasil, com apresentações de espetáculos de seu repertório: Inocência e Escalenas (Maria, Madalena), acompanhadas de ações de intercâmbio e formação, por meio da realização de debates após cada apresentação e uma oficina de dança.
O Projeto de circulação, apresentado ao Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013, partiu da necessidade de mostrar os seus trabalhos para demais localidades, circular, repercutir e fortalecer sua atuação não só em seu estado sede, mas também em outros Estados do Brasil, com ações que mostram o resultado de alguns trabalhos e também abrem espaço para o debate e a troca de experiências.

A escolha das cidades de Belém (PA), Rio Branco (AC), Palmas e Porto Nacional (TO), foi feita em razão de considerar que são localidades onde há uma variada movimentação na área da dança, não estando presas a uma estética/técnica específica; que estão abertas e por isso interessadas em relações de parcerias por se assemelharem a Região Centro-Oeste no quesito investimento em cultura do Brasil.
A inclusão de outras ações: debates após cada apresentação e oficina de dança, composta por momentos de relatos de experiência sobre o Conectivo, experimentação em dança e mostra de videodanças, além das apresentações dos espetáculos de dança, foram pensadas a fim de colaborar no processo de formação de público e na produção artística em dança contemporânea.
Esperamos encontrar nesta circulação NOVAS CONEXÕES.

10 de fev de 2015

Circulando em ação: equipe e atividades 2014

   
   Circulando em um, dois.. já!
    Equipe em reunião de planejamento no Movimente Espaço de Danças, parceiro do projeto.




Escola Municipal Nazira Anache
22ago2014, 15h15: Apresentação do espetáculo “5 minutos” e bate papo

30ago2014, 9h – 11h: Oficina de Dança Contemporânea e Dança de Rua


Escola Municipal Vanderlei Rosa de Oliveira
27ago2014, 9h15 e 15h15: Apresentação do espetáculo “5 minutos” e bate papo


Escola Municipal Elpídio Reis
2set2014, 14h: Apresentação do espetáculo “5 minutos” e bate papo


2set2014, 15h - 17h: Oficina de Dança Contemporânea e Dança de Rua



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Circulando diálogos: arte na escola
Ficha Técnica 2014
Conectivo Corpomancia: Ana Maria Rosa, Franciella Cavalheri, Marcos Mattos, Paula Bueno, Ralfer Campagna e Renata Leoni.
Cia. Dançurbana: Adailson Dagher, Ariane Nogueira, Jackeline Mourão, Lívia Lopes, Maura Menezes, Ralfer Campagna, Reginaldo Borges, Roger Pacheco e Rose Mendonça.
Arado Cultural: Ana Maria Rosa e Roberta Siqueira
Assessoria de imprensa: Camila Emboava
Apoio: Movimente Espaço de Danças

Circulamos diálogos em 2014!





A partir da aprovação do nosso projeto "Circulando diálogos: arte na escola" no FMIC/2013 circulamos com mais diálogos por escolas de Campo Grande em 2014.

Junto com a Cia. Dançurbana, estivemos em três escolas da Rede Municipal de Ensino com apresentações de danças, bate-papos e oficinas; passamos por três regiões urbanas da nossa cidade: Jardim Anache, Novo Maranhão e Mata do Jacinto; reunimos cerca de 2.000 pessoas, entre participantes das atividade; e sentimos (de novo) o quanto é rica e intensa a troca de energia e de saberes nas escolas!